visitante(s) soprando palavras ao vento




29.8.05


O Ciclo

O Amor é a morte que faz viver.
Morremos para ser outro.
O ser que nasce do Amor é outro, porque ainda é o mesmo,
Só que de uma maneira diferente,
Como uma flor à sombra
Ou
A sombra da flor ao crepúsculo.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:23 AM
 


22.8.05

Breve Biografia:

Francisco Maximiano da Silva é só um nome, e um rótulo - a não ser os dos produtos - não diz o que realmente um ser é. Numa certa madrugada, no décimo primeiro dia do quinto mês do ano de 1980 d.C veio conhecer a luz dos hospitais deste mundo uma criaturinha que atenderia pelo código de identificação acima. Nascera às zero horas e trinta cinco minutos, para tirar o sono de sua mãe: dona Maria Aparecida, lavradora, ponhadeira de laranjas, cortadora de cana. O médico disse que ela ganhara um japonesinho de Dia das Mães, e, de fato, eu tinha feições orientais. O garoto nascera em Araraquara, interior paulista, terra das laranjas.

Nas terras das laranjas não ficou muito não, só o tempo da maternidade que não tinha em Nova Europa: Eu sou novaeuropense, podem ver no meu R.G.

Era de família pobre e acho que ainda é. Já morei em tanta casa que nem se lembra mais. Aprendeu a ler com a mãe, perguntando o que estava escrito na placas nas ruas e, por isso mesmo, teve um dificuldade danada prá decorar o alfabeto, era melhor e matemática, mas só entrou na primeira série com os seus nove para dez anos de idade completados a 11 de maio de 1990.

Pulemos os detalhes, se não esta prosa pode se emcompridar feito biografia de gente do Gênesis. Amei sim, mas nunca fui amado. A razão? Como diria mestre Caeiro: porque não tinha de ser. Amei sim; amei uma bailarina mais do que tudo no mundo. Mais do que a um deus, mais do que a mim mesmo: Era ela a encarnação da dança. Não vou citar nomes porque não quero constrange-la, mas principiei a fazer versos por causa dela que soprou-me no ouvido e eu descobri quem era Fernando Pessoa e que gostava daquilo. No caminho, tive a singela orientação - ainda que indireta - da minha querida mestra Bia ( Bianca Perussolo ), com quem aprendi a Literatura que não se ensina nas escolas: descobri o sentimento literário.

Para acabar, no final das contas a bailarina não me amou, mas hoje cá estou a tropicar nas letras, fazer versos toscos como os pedaços do meu Eu, e de vez em quando, disseram-me que até sai alguma coisa boa.

Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:21 AM
 


19.8.05

TODAS as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,

Ridículas. As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas. Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas. A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Poema de: Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa )

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:04 AM
 


11.8.05

EM ALGUNS lugares deste lugar
Que chamamos lar,
Espalhadas como estrelas no céu
Ou nuvens de algodão no ar,
Sei que tem muita gente em quem tem
Lembranças doces de mel.
Pelo menos n'alguns daqueles que foram criança
No tempo de eu pequeno:
Aquela lembrança,
De sentimento ameno que se sente agora,
De quando a gente brincava, até tarde da hora,
De Mãe da Rua,
Às vezes até brilhar alto,
Raiar a luz da Lua.
E a gente sentava na calçada prá contá estórias
De sombração e lobisomem.

A gente brincava na rua,

E lá por aqueles tempos que não éramos quem somos,
Sonhamos em ladrilhar a rua só pro nosso amor passar.
E acreditamos
Que
No fim daquela rua tinha um bosque,
Que
Dentro morava um Anjo
Que roubou o meu coração
Porque eu roubei o seu .......................

E todos esses versos são
A lembrança de quando não éramos intérpretes de nós mesmos.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva ( saudosismo da inocência infantil na simplicidade - neste caso imperfeita - do mestre Caeiro ).

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:07 AM
 


4.8.05

"Ninguém pode construir em teu lugar
as pontes que precisarás passar,
para atravessar o rio da vida
- ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números,
e pontes, e semideuses que se oferecerão
para levar-te além do rio;
mas isso te custaria a tua própria pessoa;
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho
por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o."


- Nietzsche -

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:44 AM
 


1.8.05

Capas do Blog de Papel

http://www.alefelix.com.br/bdp_capas/

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:18 AM
 
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